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1- Resgate histórico.
Centenário de nascimento da poetisa Nair Westphalen
Por Gliquéria Yarentchuk
Nair Cravo Westphalen nasceu em Curitiba em 24 de novembro de 1908 e
desencarnou em 13 de janeiro de 1988. Descendente de família espírita,
desde jovem manifestou seus dotes para a literatura. Aos 18 anos já
publicava crônicas e poesias nos jornais e revistas de Curitiba.
Como professora, publicou duas obras didáticas: “Cantando os
Pinheirais” e “Antologia Escolar Paranaense”, colaboração importante
para a cultura do Paraná.
Ligada às letras e à cultura, foi membro das seguintes instituições
literárias paranaenses: Academia Feminina de Letras do Paraná, Centro
Paranaense Feminino de Cultura, Academia José de Alencar, Instituto
Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, Sala do Poeta e vários
clubes culturais da época.
Possuindo o dom de oratória e médium psicofônica, proferiu palestras
divulgando a Doutrina Espírita em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraguai, Chile, Portugal e África.
No
ano de 1970, após participar de uma excursão para a Europa, Nair
permaneceu em Lisboa durante três semanas quando fez contato com
vários escritores portugueses. Em determinada reunião pública, no
encerramento, declamou o poema “Evolução”. Graças a este fato,
conheceu uma senhora dirigente de um Grupo Espírita Familiar e foi
convidada a participar de uma reunião em sua casa, por não haver
autorização legal no país para o exercício de outras doutrinas
religiosas porque o catolicismo era a religião oficial. Assim, começou
a delinear-se um caminho para o qual ela se propunha realizar com
muita dedicação.
Em
1971, teve oportunidade de implementar grupos de estudos na cidade de
Beira, em Moçambique e em Luanda, capital de Angola – possessões
portuguesas na África Oriental. Em Portugal fez palestras em Santarém
e Almerim.
Retornando para a África em 1973, plantou sementes da Terceira
Revelação nos seguintes locais: Lourenço Marques, Beira, Luanda, Novo
Redondo, Lobito, Benguela, Nova Lisboa, Santa Comba e Quimbala.
Retornou a Portugal e continuou seu trabalho em Lisboa, Coimbra,
Tondela, Argonzelo, Vila Nova de Gaia, Leiria e Pinhal Novo.
Em
1978 permaneceu seis meses em Portugal percorrendo as regiões sul e
norte das cidades que fazem fronteira com a Espanha, um total de 19
cidades. Viajando em carros de amigos, atravessou o país proferindo
palestras doutrinárias, distribuindo materiais de apoio aos grupos que
foram criados, dando atendimento a pessoas, individualmente, através
de mensagens recebidas do plano espiritual, considerando seu trabalho
como missão, visto obedecer o roteiro determinado pelo Alto, jamais
prevalecendo locais de sua preferência.
As
viagens foram realizadas às suas expensas, aproveitando hospedagens e
transportes quando lhe eram oferecidos pelos amigos e os materiais
impressos e livros distribuídos foram doados por algumas instituições
espíritas de Curitiba.
Nair, durante oito anos, realizou seu propósito de divulgação da
Doutrina Espírita, em terras distantes, para onde foi encaminhada
pelos espíritos amigos que a auxiliaram nesta grande tarefa.
Evolução *
Nair Cravo Westhpalen
Sei que estou caminhando há milênios!
Impelida pelo fluido cósmico e vital, flutuando, vagando, rolando em
turbilhão.
Quantas estradas já percorri...
Onde senti a primeira vibração?
Embrionária, terrena, espiritual?
Na
obscuridade, sem descanso, tropeçando, no fausto, na pobreza,
trabalhando.
Terei atravessado bosques, rios e florestas, cavernas, abismos,
montanhas e rochedos!
Lembro-me agora, pela emoção que senti...
Tão sensível, suave como um carinho.
Dormia na pedra, minha irmã.
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Por isso amo as pedras dos Caminhos!
O
tempo, esse grande tecelão no seu curso imutável de perfeição,
posou-me no cálice de uma flor.
Respirei profundamente deliciada.
Vi
desabrochar a natureza exuberante em todo o seu magnífico explendor!
Fecundação e crescimento das árvores, sua utilidade como abrigo e
alimento.
Flores lindas e plantinhas delicadas, entumescidas de rica seiva
vegetal, com seus matises e perfume
colorindo e embelezando o mundo.
Sonhei com a grandeza desta terra.
Obscura e humildemente, medrosa ainda, mas contente, por integrar a
harmonia universal.
-
Por isso amo as plantas.
Mas o tempo passou...
Já
não era apenas uma flor.
Pequena, a esmo eu caminhava e sentia que acompanhava outros seres,
vagando como eu.
Amedrontada, vi tremendos vendavais da natureza impetuosa, em
convulsões.
Presenciei disputas violentas, cenas horrendas, sangrentas, entre
estranhos irracionais.
Em
toda a parte, ciladas e traições.
O
instinto, sabiamente me guiava ao riacho quando sentia sede.
Ao
alimento, quando precisava.
Em
tudo eu via a Bondade divina que protege, guia e ilumina.
-
Porisso me compadeço dos meus irmãos inferiores e amo os animais.
Mas, num incerto e glorioso dia, a alma vibrou em êxtase, comovida.
Era humana e despertava para a vida.
Crescera e galgara heroicamente, sim, embora demoradamente, todos os
degraus da evolução
e
sentia feliz pulsar o coração!
E
a alma liberta e evoluída, entoou seu cântico de glória, estuante de
alegria de viver.
Pela inteligência, bendisse ao Senhor todas as dádivas que recebera.
Pelos dons da fala, ouvidos e visão, extasiada, chorou de emoção.
Tinha movimentos, podia se expandir no mundo promissor, grande e belo:
-
Sublime oficina do Senhor!
Trabalhar sempre, progredir na escola do amor e caridade.
Possuidora dessa verdade, prosseguir em benefício de toda a
Humanidade.
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É porisso que amo meus irmãos!
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Mantida a ortografia original e/ou conforme envio. (NR)
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